A psicoterapia é um processo que pode trazer benefícios para todos, uma vez que, todos nós vivemos conflitos em nossa vida e, olhar para si mesmo, é algo que precisa ser valorizado, pois o autoconhecimento nos traz a possibilidade de ressignificarmos o que passou, nos deixando marcas negativas. 

      No caso das pacientes com lipedema não seria diferente, pois a maioria delas relatam episódios da sua infância que afetaram de forma negativa na construção da autoestima. Normalmente as histórias se assemelham, meninas que se excluíam de momentos sociais básicos (festa do pijama, excursão para o clube, uso de shorts no calor, banho de piscina com os amigos, entre outros) por se sentirem diferentes e observadas. 

      Na primeira infância sempre buscamos nos identificar, nos sentir pertencentes de algo, e no caso das pacientes com lipedema, grande parte das vezes as pernas já se destacam enquanto ainda são crianças gerando sensação de desconforto e de não pertencimento, sensação que normalmente as acompanham até a fase adulta. 

Agora vamos acumular por anos e anos essa sensação de desconforto, não pertencimento, não reconhecimento e muitas vezes falta de autoaceitação. Como irá se formar a autoestima dessa mulher? Lembrando que a autoestima não gera impacto apenas na forma que essa mulher se enxerga fisicamente, mas também na forma que irá valorizar seu trabalho, sua produção, sua inteligência, seu Eu como um todo... 

      Acredito que agora esteja mais fácil compreender a importância do acompanhamento psicoterapêutico no tratamento do lipedema, pois o processo terá como foco a desconstrução da autoestima não adaptativa formada até o momento e a construção da autovalorização, do reconhecimento e de que há uma doença instalada em seu corpo e por esse motivo a autocrítica pode e deve ser adaptada e ressignificada. 

      Mesmo para os pacientes que passam pela cirurgia, a psicoterapia é de extrema importância, pois apesar da transformação física, muitas vezes ainda há dificuldade da paciente perceber a normalização dos seus membros, e em alguns casos não conseguem gozar por completo da liberdade conquistada e permanecem com medo de retornarem para estaca zero, alimentando o medo de obter a gordura retirada de volta, de não seguirem livres do lipedema. 

      Por esses e muitos outros motivos a psicoterapia se faz extremamente necessária também para o tratamento de pacientes com lipedema. A terapia nos traz a oportunidade de recomeçarmos, de usarmos nossa história como trampolim, ao invés de usá-la como âncora. 

      Terapia é vida, é libertação!

 

Elisangela Niná

Psicóloga

Associação Brasileira de Pacientes com Lipedema - ABRALI

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